segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Deus é Espírito

Texto: João 4.24

O que “espírito” significa?

Quando a Palavra afirma que Deus é espírito, o que está querendo dizer? A palavra espírito é usada várias vezes com significados diversos. Quais apontam para Deus?
• Vento (Sl 11.6). No hebraico “vento tempestuoso” ou “espírito de tempestade”.
• Respiração (Gn 6.17). 
• Anjos (Sl 104.4). Tanto os bons quanto os imundos (Mc 1.27)
• Alma/espírito do homem (Ec 12.7); de Cristo (Jo 19.30); Deus é Deus “dos espíritos de toda a carne” (Nm 16.22).
• Um ser sem carne (Is 31.3; Lc 24.39). 
• Disposição ou inclinação ativa (Nm 14.24; Dn 6.3).
• Forte atividade (Os 4.12; Pv 29.11).

Quando a Bíblia diz que Deus é Espírito, ela quer transmitir que Deus é o somatório de todos os significados, ou seja: uma substância invisível e ativa que promove ações em Si e nos outros.

Implicações desta doutrina

a) Deus é infinito (2Cr 2.6; 6.18; Is 66.1,2; At 7.48). Deus não tem dimensões, nem mesmo infinitas. Ele não pode ser contido por nenhum espaço. Ele não é tão grande que Seu corpo esteja em um lugar e se estenda até outro ponto distante no universo. Deus não é um objeto como os demais, nem mesmo o maior que se possa imaginar. Ele não é uma coisa que possa ser encontrada no universo. Ele transcende o universo. Mais que isso: é ele, em última análise, quem permite que o universo exista.
b) Deus é onipresente. Um corpo não pode encher o céu e a terra de uma só vez com tudo que é, pois, é limitado ao tempo e espaço. Mas, Deus é onipresente (Sl 139.7-10; Jr 23.23, 24). Deus não está sujeito às limitações do corpo físico, como o tempo ou o espaço (Jo 4.21; At 17.24). Ele não é infinitamente grande, mas está presente com todo o seu Ser em cada parte do universo, simultaneamente. Deus está presente, mas é distinto de toda a Sua criação. Ele está em todo o universo, mas não é o universo. É superior à toda a criação, pois é Criador. Assim, todo lugar é o lugar de se adorar a Deus (Jo 4.21), pois a adoração não diz respeito ao lugar, mas à condição espiritual de cada um.
c) Deus é invisível. Paulo adiciona invisível como parte das perfeições de Deus (1Tm 1.17). A Sua divindade se entende pelas Suas obras que são visíveis, mas o Ser não é visível aos olhos materiais (Jo 1.18; 1Tm 6.16; Cl 1.15). Somente quando estivermos num corpo transformado veremos a Deus (1Co 13.12; 1Jo 3.2; Ap 22.3,4; Mt 5.8).
d) Deus é o Ser Perfeito. Como a alma e espírito do homem corporal fazem dele o ser superior dentre todos os demais que tem corpos (animais), e como os anjos, que são espíritos sem corpos são superiores aos homens (Sl 8.5; Hb 2.7), Deus é mais perfeito do que a Sua criação por ser Espírito puro. O efeito não pode superar a Causa. Cada ser composto é criado e é em essência, finito e limitado, e assim sendo, longe de perfeição. Por Deus ser Luz sem trevas (1Jo 1.5) e sem sombra de mudança (Tg 1.17), sabemos que Ele é perfeito. Deus tem uma excelência acima de todos esses e assim sendo, está inteiramente removido das condições de um corpo. 
e) Por Deus ser Espírito, é tanto pecado quanto tolice fazer qualquer imagem ou desenho de Deus (Ex 20.5; Dt 5.8,9). Nossas mãos são tão incapazes de formar uma imagem dele ou desenhá-lo como são incapazes os nossos olhos de vê-lo. Que a proibição de fazer imagens de Deus para adorar ou ajudar na adoração é para todos os povos e de todos os tempos é clara, pois Ele julgará tanto o Seu povo quanto os pagãos por fazerem isto (Is 40.18-26; Rm 1.21-25). Tais pessoas que fazem as imagens e desenhos, reais ou imaginativos, são tão estúpidas quanto as imagens que fizeram (Sl 115.4-8).

Deus não tem corpo?

Muitos cristãos acreditavam não apenas que Deus era material e físico, mas também que possuía algo semelhante ao corpo humano. A Bíblia fala das mãos, ouvidos e rosto de Deus (Is 59.1,2), dos seus olhos (2Cr 7.15,16), das suas costas (Ex 33.23) e do seu braço (Dt 11.2).
Por que a Bíblia atribui a Deus partes corporais? Estas devem ser consideradas como antropomórficas (tentativas de expressar a verdade sobre Deus por meio de analogias humanas) e simbólicas. Servem para trazer o infinito ao alcance da apreensão do finito. Estas representações aludem à Sua obra, em sentido figurado, e não à Sua natureza invisível. Nelas são manifestos os Seus interesses, poderes e atividades. Os olhos falam do Seu conhecimento (Dt 11.12; Sl 34.15); Seu braço e mão, da Sua eficiência e poder (Ez 20.33; Is 51.9; 52.10); os Seus ouvidos, da Sua onisciência e atenção (2Cr 7.15,16; Sl 34.15); a face, do Seu favor (Sl 27.9; 143.7); a boca, da revelação da Sua vontade (Jó 37.2; Pv 2.6); as narinas, da aceitação das nossas orações (Dt 33.10, cf Ap 8.3,4); o coração – a sinceridade das Suas afeições (Gn 6.6; 1Cr 17.19); os pés, da Sua presença (Is 60.13; 66.1); Seus ouvidos, da Sua prontidão em ouvir as súplicas dos oprimidos (Sl 34.15; Ne 1.6).
Outra questão é que Deus algumas vezes aparece em forma humana (Gn 18.1,2,13; Js 5.13-15). Essas aparições são chamadas teofanias, sendo consideradas manifestações divinas que não comunicam ao homem a Sua real essência. Estas teofanias consistiam em manifestações incorpóreas de aparência humana, transitórias, e em localizações permanentes.

Conclusão 

Deus não pode ser percebido pelos sentidos humanos, pois é espírito eterno, infinito e invisível, mas pode ter comunhão com o homem. Não é necessário um lugar especial para adorá-lo, pois Ele está em toda parte, plenamente presente e ativo.
Por Deus ser Espírito, o homem só pode ter comunhão com Ele através de um espírito vivificado por Cristo (1Jo 1.3). Ele não é um corpo material e, portanto, olha para o coração, para os sacrifícios de um espírito quebrantado mais do que a beleza de templos ou o esforço de qualquer ação externa. Isto Ele não desprezará (Sl 34.18; 51.16,17). Para termos comunhão com Ele, devemos ter o espírito da nossa mente renovado (Jo 3.5; Ef 4.23). Nunca podemos ser unidos a Deus senão em um espírito vivificado por Cristo.

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